Atualmente, estamos sempre a ser convidados a sair da nossa zona de conforto. Percebo a ideia, claro. Sei que o objetivo é, na maioria das vezes, bem-intencionado e também o digo com frequência, tendo já beneficiado muito de o pôr em prática (às vezes, consigo, outras não).
O problema é que esta mensagem tem sido repetida até à exaustão, sem qualquer contexto e – o que é pior – como se fosse fácil. Tal como quando nos armamos em treinadores de bancada ou comentadores num concurso de talentos.
Mas ir para o desconforto e fazer aquilo que dá medo – só a ideia de o fazer – pode assustar bastante e gerar bloqueios, ao ponto de nos fecharmos ainda mais. Isto é válido para todo o tipo de situações, desde andar numa montanha-russa, falar em público ou meter conversa com alguém, por exemplo.
Necessário conforto e acompanhamento
O que nem sempre é dito nos muitos discursos de incitamento ao desconforto é que há necessidade de, primeiro, passar tempo na zona de conforto, idealmente com o acompanhamento de alguém em quem confiamos, para aí podermos olhar para nós e para os nossos medos com atenção. No fundo, precisamos de arriscar desbravar o território do Eu no conforto, antes de nos atirarmos de cabeça para o desconforto.
Fazê-lo é um processo, que pode ser percorrido com apoio por quem pretende dar esse passo.
Foi também por isso que criei o PATo – Programa de Acompanhamento Terapêutico online ou presencial – que é um percurso de dez sessões de terapia ao longo de cinco meses, onde me proponho acolher com segurança quem se propõe dar esse mergulho interno. Para que depois, mesmo com medo do desconhecido, haja vontade de mergulhar, nadar e, até, boiar no desconforto.
Para mais informações sobre o PATo, consultem aqui ou entrem em contacto.
Texto publicado originalmente no Instagram e Facebook no dia 03/02/2025