A busca do propósito de vida é uma espécie de velha conhecida minha. Relacionamo-nos há muitos anos, talvez desde que cheguei ao mercado de trabalho.
Embora tenha tido a sorte de trabalhar desde o estágio naquilo que mais queria – sonhava ser jornalista desde pequena – a angústia do propósito de vida encontrava espaço em mim para se manifestar. Sentia que me faltava algo, havia um vazio por preencher, um buraco que não desaparecia mesmo que o trabalho corresse da melhor forma.
Com o tempo, fui percebendo que precisava de sentir que a profissão à qual consagrava tanta energia e tantas horas da minha vida, contribuía, de alguma forma, para melhorar a vida de outras pessoas. E foi por isso que, há duas décadas, comecei a fazer formações na área das terapias, e a certa altura decidi conciliar os dois mundos.
Mesmo assim, em determinados momentos, a grande angústia voltava: qual é o meu propósito? O que é que eu vim cá fazer, afinal? Queria muito identificá-lo e ter a certeza, para poder dar os passos necessários para o cumprir, para cumprir-me. Às vezes, a questão era quase uma perseguição.
Entre as várias estratégias que me ajudaram (e ajudam) a perspetivar este tema, há algumas que posso partilhar:
- Acima de tudo, o nosso propósito de vida é viver. A forma como escolhemos viver cada dia é como vivemos o nosso propósito;
- Por vezes, perder muito tempo com a questão do propósito de vida pode ser uma forma de nos distrairmos de fazer o que temos de fazer;
- Com frequência, sabemos qual é o nosso propósito. Mas custa-nos muito pensar nas mudanças que vamos ter de pôr em prática para o concretizar, as pessoas que vamos “desapontar”, e até a ideia que temos de nós que se vai desconstruir. Como tal, preferimos continuar a dizer que não sabemos;
Por fim, precisamos de certezas sobre o caminho/propósito de vida, porque temos pavor de arriscar. Queremos controlar tudo e, por isso, agarramo-nos à dúvida. Porém, a dúvida só se dissipa quando aceitamos vivê-la plenamente. Só nessa altura é que o propósito de vida se mostra, porque, nessa altura, começamos a viver.