Ter curiosidade – ou mente – de principiante implica que se observe e experiencie algo com um interesse total, sem condicionamentos prévios, havendo uma entrega completa ao momento. Tal como fazem as crianças.
Sou curiosa desde sempre e é muito difícil descobrir um tema que, de alguma forma, não me interesse ou em relação ao qual não encontre um ângulo de enorme relevância (pelo menos para mim). Até quando, há muitos anos, tive de fazer um curso sobre logística, no Centro de Emprego, consegui encontrar forma de me motivar a ir às aulas com o intuito de aprender a calcular e definir rotas de distribuição, ainda que fosse pouco provável que algum dia viesse a precisar desses conhecimentos para alguma coisa.
Também nos anos que trabalhei como jornalista, percebi que era esta característica que me impedia de ter sono durante os intermináveis congressos sobre temas que não interessavam a mais ninguém que não trabalhasse especificamente na área.
De igual forma, tenho a certeza que foi a minha curiosidade que me permitiu trabalhar tanto como produtora de conteúdos, a um ritmo acelerado, já que era possível ter temas quase sempre novos à minha espera para serem desbravados e questionados.
Defeito ou virtude?
Durante muito tempo, pensei que esta minha característica não era necessariamente uma coisa boa, já que levava a alguma dispersão, impedindo-me de me tornar numa especialista “de verdade” (o que quer que isso fosse).
Até que comecei a aprofundar os estudos como terapeuta e “meditadora” e descobri, nestes territórios, um denominador comum que sempre esteve comigo: a curiosidade de principiante.
Ter curiosidade – ou mente – de principiante implica que se observe e experiencie algo com um interesse total, sem condicionamentos prévios, havendo uma entrega completa ao momento. Tal como fazem as crianças.
É ouvir a história que nos é contada por alguém durante uma sessão e ter genuína curiosidade sobre a mesma, sem julgar nada. É estar em Atenção Plena e querer mesmo saber aonde é que aquilo nos leva.
Percebi, então – porque sempre o vivi, às vezes com dor – porque é que se diz que na mente de principiante há muitas possibilidades, enquanto na do especialista há muito poucas.
Texto publicado originalmente no Instagram e Facebook no dia 23/01/2025